terça-feira, 13 de julho de 2010

Possibilidades (1)

Todos os dias eu pego ônibus para ir para a faculdade.

45 minutos (dependendo do trânsito). Tempo que geralmente é útil para ler, estudar, revisar para provas e pensar na vida.

Aquele era mais um dia de ônibus, mas um dia inconveniente. Só estava perdendo 90 minutos do meu dia para entregar dois trabalhos.

Então eu fui tranqüila, pensando nos muitos problemas recorrentes na minha vida.

Faltavam 30 minutos para chegar, sol na cara, sono iminente!

O ônibus estava começando a lotar, uma senhora cheia de sacolas sentou do meu lado.

Estava sentada do lado da janela, lado esquerdo do ônibus, duas cadeiras de distância em diagonal da porta (daqueles ônibus que a porta de saída e de cadeirantes é no meio).

Conseguia ver a porta, cuidava quem saia.

Faltavam 35 minutos para chegar até a bendita faculdade.

Final de semestre, já não agüentava mais!

Até que apareceu um cara, acho que entre 20-25 anos.

Não chamou atenção só pela boa aparência, mas pelo conjunto, especialmente pelo sorriso.

Não era aqueles sorrisos de ‘safadenhos’.... mas um sorriso sincero.

Por alguma razão ele me encarou ali da porta, onde ele parou, com um leve sorriso sincero no rosto.

As pessoas começaram a chegar e a minha visão dele se limitou a raros momentos em que o povo se movimentava.

As vezes eu olhava e ele não estava olhando, as vezes eu olhava e ele olhava de volta.

Deduzi o que poderia acontecer se continuasse assim, parei de olhar.

Comecei a pensar na possibilidade que nunca acontecia: o cara bonitinho sentar do meu lado por acaso e rolar um papo legal e no fim ele ser uma pessoa muito legal e nós nos tornarmos amigos!!! (e futuramente... possibilidades...)

O conjunto do cara me chamou atenção, sorriso sincero, não tinha aquelas roupas descoladas de quem se acha. Usava um blusão meio salmão clarinho meio curto pra ele, uma calça verde que parecia curta para ele, mas não tanto para parecer bizzaro.

Estava de mochila, deduzi que estudava na mesma universidade que eu, pois estava pegando um ônibus que não ia para nenhum ponto turístico, só o campus isolado do mundo.

Sendo ele alto de boa postura, aparentemente debaixo do moletom era bem definido, com costas largas. O cabelo curto e a postura davam a impressão de que estava no exército.

Alto, forte, cabelos castanhos, olhos claros, sorriso sincero...

A mulher do meu lado desceu e ele olhou em minha direção, veio sorrindo até o banco vazio.

“Com licença, moça” ele disse com um sorriso no rosto e uma voz que combinava exatamente com ele.

Eu sorri em sua direção, já imaginando o que poderia acontecer.

O coração bateu um pouquinho mais forte.

Tive a impressão que ele estivesse olhando para mim, mas me recusei a confirmar.

Comecei a imaginar diversas maneiras de começar uma conversa.

Quando esgotei todas as possibilidades, não pretendia executar nenhuma das minhas idéias.

Comecei a imaginar se ele estava fazendo a mesma coisa, algumas vezes tive a impressão que ele iria começar a falar algo, mas depois acabava não falando nada.

Aproveitei um barulho no outro lado do ônibus para olhar em sua direção.

Decepção. Ele estava olhando para o outro lado.

A viagem continuou. Chegamos ao fim da linha.

Ele levantou e ainda olhou para trás. Novamente passou pela minha cabeça que tipos de complicação eu teria se retornasse com um sorriso aquele gesto.

Peguei minhas coisas, rapidamente desci do ônibus e segui ao que tinha que fazer.

Rindo sozinha da possibilidade e alguma coisa acontecer...

Fui poucas vezes para a faculdade naquela semana.

Sempre com expectativa de encontrá-lo.

Sempre frustradas.

Até que uma semana depois, sentada com dois colegas, lembrei daquele dia do ônibus e das possibilidades.

Descrevi para eles aquele cara, sincero, simpático, talvez militar.

“Alto? De olhos claros? Cabelo curto? Usa uma calça verde?” disse uma das colegas.

Muitas possibilidades passaram na minha cabeça, será que era ele?

“Ele trabalha comigo!” ela disse o seu nome.

E o seu nome é... não acredito, esqueci! Não lembro mais!

Mas será que eu encontro a figura um dia desses ainda?

Só esperando... e pensando nas possibilidades... boas ou ruins...

Um comentário:

  1. Primeiro eu vou ser chato: primeiro faltam 30min pra chegar, depois faltam 35min; ou escapou, ou me faltou sensibilidade pra notar o quão tediosa tava a viagem (a ponto do tempo regredir uauhaauh).

    Enfim, agora sim um comentario pertinente:
    Eu tenho impressão que a gente perde a chance de conhecer muita gente interessante nessas viagens de ônibus por conta dessa "regra não escrita" de "não fale com o estranho ao lado"... Pensando bem, acho que prefiro assim, tenho vontade de matar o infeliz que resolve puxar papo comigo quando to escutando musica e lendo xD

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